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Estamos para iniciar um novo tempo litúrgico: o Advento. O termo, do latim “adventus”, nos remete tanto a uma espera, quanto a uma chegada, uma presença. Na verdade o Advento só pode ser compreendido em sua relação com o Natal, pois o objetivo destes dois tempos é precisamente celebrar o grande mistério da Encarnação do Verbo de Deus.

O Advento foi o último tempo a aparecer na organização do Ano Litúrgico por volta do séc. VIII, sendo um tempo de preparação para a grande festa do Natal do Senhor que surgiu no séc. IV e foi ganhando destaque na Liturgia até tornar-se a segunda festa mais importante da Igreja. O Advento surge como uma "imitação" da Quaresma que, aos poucos, foi ganhando características próprias: de um tempo penitencial passou-se a um tempo de "preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa" (NALC, 39).

Algumas orientações e sugestões para que possamos viver bem este tempo tão rico de espiritualidade:

- A cor litúrgica é o roxo que indica a sobriedade, a discrição e a preparação da Igreja; contrário ao que acontece na Quaresma, não quer evocar o caráter penitencial, mas somente chamar a atenção para a preparação e a conversão em vista do grande Mistério que se vai celebrar. No terceiro domingo há um antigo costume de se usar a cor rosa que, pedagogicamente, indica a proximidade da festa do Natal, chamado domingo da alegria (Gaudete). A cor litúrgica é trazida somente pelos ministros ordenados em suas vestes e pode aparecer muito discretamente e com sobriedade (cf. IGMR, 344) nas vestes dos demais ministros leigos, como os leitores por exemplo.

- O Espaço Litúrgico: deve demonstrar e traduzir a sobriedade própria do Advento; não se proíbe enfeitar, como na Quaresma, mas insiste-se na moderação (cf. IGMR, 305). Também neste tempo parece ser oportuno não carregar o espaço exagerando na cor roxa. O espaço no Advento deve ser sóbrio, despojado, pois nos prepara para o Natal pobre e singelo de Jesus...

- Falando do espaço, falamos também da montagem do Presépio, que teve origem com São Francisco de Assis, e é um símbolo muito querido pelo povo. Para que não prejudique a celebração do Advento que, nas primeiras semanas reflete a segunda vinda do Filho do Homem, seria bom que o Presépio fosse montado no terceiro Domingo do Advento, aproveitando o tema recorrente da alegria e, ademais, é partir deste domingo que se começa a preparação imediata para o Natal.

- A Coroa do Advento: há neste tempo o costume de se fazer a “Coroa do Advento”, ou seja, enfeitar 4 velas em forma de coroa (círculo) que vão se acendendo a cada domingo na espera vigilante do Senhor. Herdado da Alemanha, dos irmãos protestantes, este símbolo foi tão forte que se estabeleceu em nossas comunidades e nos ajuda a celebrar. Não há uma concordância quanto às cores das velas, mas é sempre bom lembrar da sobriedade e da finalidade do símbolo: iluminar e aquecer o coração na espera daquele que vem...

- O Canto Litúrgico neste tempo também é comedido, sóbrio e calmo; reflete toda a expectativa do antigo Israel pela vinda do Messias. No Advento, não se canta o Glória, mas se canta o Aleluia na Aclamação ao Evangelho e, também, como na Quaresma, seria bom que os instrumentistas e cantores abaixassem o volume dos instrumentos e das vozes. Precisam ser valorizados os cantos de entrada e comunhão, bem como as chamadas "antífonas do Ó" que destacam um título do Messias e se referem às profecias de Isaías na celebração das Vésperas e na Aclamação ao Evangelho, nos dias mais próximos ao Natal.

- A Palavra de Deus no Advento deve ter o cuidado dos leitores e leitoras, no sentido de uma boa preparação a fim de que Deus possa se comunicar com o seu povo. Neste tempo se lê muito o Profeta Isaías e outras profecias messiânicas, um verdadeiro tesouro espiritual, e quem lê na Liturgia precisa estar imbuído do espírito destes textos.

Tendo tudo isso presente é importante não desvalorizarmos o tempo do Advento, antecipando a Festa do Natal do Senhor. Infelizmente convivemos, nesta época do ano, com um forte apelo capitalista nas lojas e nos Shoppings que querem vender a todo custo e se enfeitam de luzes e árvores... a tentação é querer levar toda essa temática "profana" para dentro das igrejas, enchendo nossos espaços que deveriam ser sóbrios de luzes, pisca-piscas, árvores, bolas e guirlandas de Natal.

Por outro lado, o tempo do Advento é uma ótima oportunidade para mostrarmos a todos, em nossas Liturgias sóbrias e espaços despojados, que a Igreja celebra o Natal de outra forma: não como o mercado consumista, mas como uma comunidade de fé que celebra o Mistério de um Deus que "sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza" (2Cor 8,9). Por isso, no Advento, a palavra que não nos cansamos de repetir é "Maranathá" = Vem Senhor!

 

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Pe. Daniel Menezes Fernandes,

Pároco da Paróquia N. Sra. do Carmo em Carmo da Cachoeira-MG,

Assessor da Pastoral Litúrgica Diocesana.